Prefeitura de Manaus repete vício de contratos e David Almeida sustenta empresa de entulho com R$ 42 milhões

Denúncia

Manaus, A gestão do prefeito David Almeida transformou o contrato de limpeza de igarapés em um negócio sem fim, alimentado há mais de seis anos por aditivos milionários. O serviço, que deveria passar por nova licitação desde 2019, continua sendo entregue de bandeja à empresa Trairi Comércio de Derivados de Petróleo. Até junho deste ano, o contrato já estava em seu oitavo aditivo, no valor de R$ 10,1 milhões, com custo mensal de R$ 845 mil.

Com o fim do aditivo, David Almeida não inovou, não buscou transparência, tampouco respeitou o mínimo da lei. Simplesmente escorou-se em uma dispensa de licitação e renovou o contrato da Trairi por mais 12 meses, até setembro de 2026, pelo mesmo valor milionário. A desculpa usada pela Prefeitura foi a de “emergência”, como se seis anos de repetição de contratos fossem obra do acaso e não fruto da total falta de planejamento.

Desde janeiro de 2021, quando David assumiu a Prefeitura, até agosto de 2025, já foram R$ 42.676.907,21 pagos à Trairi, sempre sem concorrência, sempre sob o mesmo contrato arrastado e inflado. Em 2022, ano mais lucrativo para a empresa, a conta chegou a R$ 10,3 milhões. Um negócio que faz dos igarapés de Manaus não apenas valões de lixo, mas também fonte inesgotável de dinheiro público para os cofres privados da empresa.

O contrato, recheado de itens como empurradores, balsas, escavadeiras e até fornecimento de combustível, tem um detalhe revelador: a Trairi é justamente uma empresa do ramo de combustíveis. Não é preciso muito esforço para entender quem ganha e quem perde nessa equação. Manaus continua afogada em entulho, enquanto a empresa une o útil ao altamente lucrativo.

O termo de referência assinado pela gestão municipal chega a beirar o cinismo. A Prefeitura justifica a contratação emergencial como indispensável para não comprometer a saúde pública e a preservação ambiental. No entanto, a verdadeira emergência parece ser a de manter a Trairi como beneficiária eterna dos cofres públicos, num ciclo de aditivos que virou rotina.

Com David Almeida, a regra é clara: licitação virou exceção, e contrato milionário virou privilégio de poucos. Manaus segue atolada em lixo, enquanto o prefeito repete as velhas práticas de quem trata o erário como se fosse propriedade privada.