Com dinheiro do povo, Roberto Cidade transforma praça em vitrine eleitoral para lançar a dinastia da família

Denúncia

O deputado estadual Roberto Cidade, presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), continua tratando o dinheiro público como moeda eleitoral da família. Em Manicoré, interior do estado, uma praça bancada com suas emendas parlamentares foi menos um espaço de lazer para a população e mais um palco improvisado para coroar o pai, Robertão Cidade, como novo aspirante ao poder. Sem ocupar qualquer cargo, Robertão foi apresentado como liderança política, em mais um espetáculo de nepotismo explícito travestido de inauguração.

A encenação não foi gratuita. Robertão já articula sua candidatura a deputado estadual em 2026, enquanto o filho prepara terreno para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A praça virou apenas um detalhe em meio ao enredo já batido da política local: a transformação de obras públicas em trampolins eleitorais para perpetuar sobrenomes, como se cargos fossem herança de família.

A estratégia da família Cidade é clara. Alternância entre pai e filho para manter poder, com apoio de emendas e recursos do contribuinte. Uma prática arcaica que lembra os velhos currais eleitorais do interior, onde famílias inteiras se revezam em cargos eletivos, blindadas pela falta de fiscalização e pela complacência de quem deveria cobrar responsabilidade.

A Praça da Bandeira, que poderia ser símbolo de investimento coletivo, virou palco de promoção pessoal. Um espaço que deveria servir ao povo foi sequestrado para alimentar a vaidade política de um clã que se comporta como dono do Estado.

Não é a primeira vez que Roberto Cidade escancara sua falta de sensibilidade política. As imagens de sua viagem à Grécia, consumindo carne folheada a ouro, viralizaram como retrato da ostentação de quem vive em bolha, alheio à realidade de milhares de amazonenses que enfrentam dificuldades básicas. A mesma arrogância se repetiu no concurso da ALE-AM. Apesar da importância do certame, o edital lançado por sua gestão ignorou a lei que garante a reserva de 30% das vagas para candidatos negros, desrespeitando a legislação e invisibilizando populações que representam a alma do Amazonas.

Roberto Cidade e seu pai são o retrato de uma política decadente, que transforma obras públicas em vitrines eleitorais, recursos do contribuinte em cabos eleitorais e o Estado em propriedade privada. Não se trata apenas de um erro político, mas de uma afronta ao princípio republicano: o poder não pertence a famílias, mas ao povo.